5 erros comuns que podem condenar sua ideia ao fracasso

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5 erros comuns que podem condenar sua ideia ao fracasso

 

“Os homens erram, os grandes homens confessam que erraram. ”

Voltaire

As taxas de mortalidade dos pequenos negócios no Brasil ainda são bastante elevadas, uma vez que cerca de 1/3 das empresas criadas não ultrapassam seu primeiro ano de vida[1].

Quando levamos isso para o campo dos negócios inovadores com base em conhecimento e tecnologia – apesar da falta de dados estatísticos nacionais – suspeitamos que esses números pioram significativamente e grande parte das tentativas falha.

Há diversas situações que podem levar uma empresa a encerrar suas atividades, mas, de maneira geral, as mais dramáticas devem-se a uma conjunção específica entre a decisão do empreendedor e uma mudança abrupta no cenário econômico.

Quando somos pegos no contrapé há maiores chances de deixarmos de existir. Por exemplo, uma empresa que há 3 anos atrás se viu com a capacidade produtiva ocupada e o mercado em crescimento poderia ter optado por expandir sua operação. Sem suspeitar do que aconteceria em seguido, foi dragada por uma crise econômica originada no seio de uma crise política-institucional e viu suas margens e suas receitas caírem num momento de descapitalização e grande capacidade ociosa, que a levaram ao encerramento das operações.

Não seria lícito acusarmos esse empreendedor de imprevidente ou mau gestor e atribuir o fechamento da empresa à sua falta de visão. Afinal, quem em sã consciência seria capaz de prever o que está acontecendo hoje com nossa economia em decorrência de uma crise política?

Mas, se analisarmos períodos mais longos, encontraremos muitas empresas encerrando suas atividades em momentos de grande prosperidade econômica. O que, então, poderia explicar essas altas taxas de mortalidade?

É fato que não somos infalíveis e que errar faz parte do empreender, mas isso não nos isenta da culpa pelos erros evitáveis cometidos em nossas jornadas.

Nesse artigo falaremos de 5 erros comuns cometidos tanto por empreendedores experientes, quanto pelos de primeira viagem e que, de certo modo, por sua grande recorrência, poderiam ser evitados.

1.     Não identificar corretamente os segmentos de clientes

Apesar de parecer um tanto óbvio, é muito comum ainda hoje que muitos empreendedores ignorem as ferramentas e as metodologias do Design Thinking e trabalhem exclusivamente com sua intuição e com um conhecimento superficial sobre seus segmentos de clientes ao desenvolver suas soluções.

Ao fazerem isso, podem cometer erros graves na definição da Proposição de Valor e nas estratégias de comunicação, comprometendo definitivamente o sucesso do seu negócio.

2.     Subestimar os custos de aquisição de clientes (CAC)

Uma empresa nascente não tem uma história e, se for inovadora isso ainda piora por conta do desconhecimento do público em relação à nova solução.

Imaginar que nossa ideia será aceita e difundida imediatamente com pouco ou nenhum esforço de marketing é mais comum do que parece, especialmente após as estratégias de marketing terem se deslocado para o mundo digital.

O fato é que o CAC é crescente e a competição é feroz. Somente no Facebook estão ativas cerca de 30 milhões de página de negócios e existem 4 milhões de anunciantes recorrentes operando.

Estratégias de Marketing de Conteúdo, Inbound Marketing, ABM, Growth Hacking, Referral Marketing, entre outras, apresentam custos crescentes e necessidade de profissionalização precoce para serem efetivas e farão parte do orçamento de qualquer empresa ou startup do Século XXI.

3.     Subestimar o capital necessário para manter o negócio em operação antes de alcançar o ponto de equilíbrio

Penso que seja o Calcanhar de Aquiles da maior parte dos pequenos negócios e mesmo de alguns franqueados.

Temos uma ideia equivocada dos prazos médios necessários para uma operação começar a se pagar e reservamos pouco capital para manter a operação durante esse período que pode se estender por alguns anos.

O ideal, ao iniciarmos um novo negócio, é termos capital circulante[2] suficiente para até dois anos de prejuízos e, além disso, simplificar a vida, cortando gastos desnecessários e limitar ao máximo nossa sobrevivência da dependência dos resultados da empresa nos anos iniciais.

Ao menos aqui no Brasil, o endividamento precoce pelo adiantamento de cartões e duplicatas pode condenar uma operação rentável ao encerramento devido ao excesso de juros pagos aos bancos, ou a uma vida de sofrimento interminável de vender o almoço para pagar a janta.

4.     Gastar recursos demais com acessórios e dar pouca atenção à essência do negócio

Criar um novo negócio pode ser uma atividade empolgante. Precisamos definir um nome, criar uma nova marca, desenvolver nosso site, encontrar um lugar legal para iniciar a operação e muitas outras atividades legais.

Por isso mesmo, não raramente, nos envolvemos demais com essas atividades acessórias e deixamos de lado o entendimento dos nossos segmentos de clientes, o design adequado do nosso Modelo de Negócios e outras atividades mais áridas e menos tangíveis, mas essenciais para o nosso sucesso.

A ideia do Produto Mínimo Viável (MVP) e Serviço Mínimo de Valor (MVS), são um importante lembrete para focarmos nossos esforços em nossos clientes e não nos deixarmos levar por nossos impulsos pela gratificação imediata.

Precisamos primeiro fazer o que precisa ser feito, para depois fazermos o que gostamos de fazer.

5.     Terceirizar atividades estratégicas da empresa para as pessoas erradas por falta de conhecimento específico

Quase todos os empreendedores que conheço têm alguma história de erros cometidos pela terceirização de atividades estratégicas do negócio. Seja na contratação do Marketing, do Desenvolvimento de Produto, ou de outras funções, é importante buscarmos mais de uma possibilidade e sermos rápidos para encerrar um contrato quando percebermos que as coisas não vão acontecer do jeito que havíamos imaginado.

Um contrato ou um termo de parceria é sempre recomendado, já que o que está acordado não é caro.

Apesar de ainda não ser o caso da Soul (já sofremos bastante com erros dessa natureza e estamos buscando por sócios), nossa recomendação é iniciar o negócio com uma equipe multidisciplinar que tenha os conhecimentos específicos necessários e que, mesmo que não sejam suficientes para colocar as coisas em pé, permitam fazer boas contratações e orientar a execução das estratégias, sem depender exclusivamente dos parceiros para isso.

Parceiros errados podem ser um dreno de recursos e fonte de dores de cabeça. Preste bastante atenção em que contratar para lhe ajudar com questões importantes de seu negócio.

Sua vez

Caso você tenha se identificado com algum erro, ou se lembre de outros que se prevenidos possam beneficiar outros empreendedores, não deixe de compartilhar conosco comentando esse post.

Caso tenha alguma dúvida, crítica ou sugestão, fique à vontade para nos contatar.

 

[1] Fonte SEBRAE.

[2] Alguns chamam de giro, mas prefiro não dar esse nome pelo fato dele ser absorvido pelos déficits operacionais e não servir exatamente para cobrir o descasamento entre pagamentos e recebimentos.