Como é possível diminuir o desperdício de recursos ao iniciar um novo negócio?

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Como é possível diminuir o desperdício de recursos ao iniciar um novo negócio?

 

“O verdadeiro desperdício nunca foi das coisas. É da vida. ”

Vittorio Buttafava

 

No início de um novo negócio há sempre maiores chances de cometermos mais erros e sermos menos eficientes do que as empresas já estabelecidas no mercado.

Parte dos recursos iniciais que despenderemos neste estágio fazem parte de um processo de aprendizado natural que decorre da natureza empírica do empreender.

Há sempre uma curva de aprendizado mais ou menos longa antes de realmente conhecermos a dinâmica do negócio, conquistarmos os nossos primeiros clientes, encontramos o encaixe entre o problema e a solução, desenvolvermos um bom relacionamento com nossos fornecedores, entre outras tantas pequenas coisas que fazem com que as empresas entrantes tenham algumas desvantagens competitivas[1] e desperdicem mais recursos que as empresas estabelecidas.

Esses gastos são quase inevitáveis, mas aqui vamos falar sobre algumas fontes mais perigosas de sangramento de caixa e que, como veremos, podem ser evitadas tomando-se algumas precauções.

Desenvolver uma solução para um problema inexistente ou ignorar nossos segmentos de clientes

Sabemos que 90% das startups irá falhar e que a maior parte dessas sucumbirá por ter criado uma solução para um problema inexistente, ou que as pessoas não se importam.

Na realidade, via de regra, quando desenvolvemos nossa ideia e formulamos nossa Tese de Negócios, trabalhamos com hipóteses e não com fatos, por isso é altamente recomendado que validemos essas hipóteses antes de iniciar o desenvolvimento da nossa solução.

Infelizmente, apesar de todo o impacto que a Bolha da Internet gerou no ambiente de negócios, ainda há um conjunto razoável de empreendedores que desconhece formas de reduzir os perigos do caminho e outros ainda que preferem ignorá-las e apostar apenas na intuição para superá-los.

Investir tempo, dinheiro e energia apenas para assistir nossa ideia morrer alguns meses depois não é apenas frustrante e traumático, mas um desperdício do nosso talento e do nosso potencial transformador. Desse modo, se apropriar das novas metodologias e do ferramental desenvolvido no início do século não é um luxo, mas uma necessidade para quem realmente deseja prosperar.

Já ouviu falar de Desenvolvimento de Clientes e do Lean Startup?

O Desenvolvimento de Clientes e o Lean Startup surgiram no início do Século XXI em resposta aos graves erros cometidos por todo o ecossistema empreendedor norte-americano durante os anos 1990 que levaram à queda da NASDAQ e à crise financeira que ficou conhecida como a “Bolha da Internet”, em 2001.

Por formularem as ideias do Desenvolvimento de Clientes, do Lean Startup e do Canvas de Modelo de Negócios, Steven Gary Blank e Eric Ries, juntamente com Alexander Osterwalder e Yves Pigneur podem ser considerados os pais do empreendedorismo moderno, uma vez que juntos trouxeram grande parte do conhecimento que atualmente formam a base das metodologias para o desenvolvimento de startups de tecnologia utilizadas em escala global.

O princípio de todo esse trabalho vem do conceito de que uma startup é “uma organização temporária em busca de um modelo de negócios repetível e escalável num ambiente de extrema incerteza”[2] e que, portanto, nesse estágio do ciclo de vida da empresa, o foco do empreendedor deve se deslocar da busca pelo lucro para a busca pelo aprendizado.

E esse aprendizado deve ocorrer desde o primeiro dia e ter início, necessariamente, com a validação do problema, continuar ao longo de toda a vida da startup e perdurar mesmo após ela encontrar o encaixe do produto no mercado e atravessar o abismo, alcançando o mercado principal.

E sobre empatia?

Apesar de parecer apenas mais uma palavra da moda, a empatia será a base para a construção dos negócios inovadores e não poderá mais ser ignorada.

As escolas de Design Thinking ou Design de Serviços irão ganhar cada vez mais espaço no mundo dos negócios em função das exigências dos nossos segmentos de clientes pela qualidade, pela inovação e por sua busca permanente por experiências únicas e memoráveis.

Estamos saindo de um mundo de transações e entrando num mundo de relacionamentos. Entrando em um mundo onde as pessoas trocarão a posse pelo direito de uso e no qual os produtos se comportarão como serviço.

Nessa economia de cauda longa, com desafios crescentes de comunicação e onde somos pressionados pela competição internacional, não há como acreditar que poderemos ignorar nossos segmentos de clientes ao desenvolver ou aperfeiçoar nossas soluções.

Nossa empresa terá que enfrentar uma luta diária para se melhorar e, de tempos em tempos, se reinventar para permanecer relevante. Não haverá tréguas e os nossos clientes ditarão as regras, pois a balança está pendendo para o lado deles nesse momento.

Evitando o desperdício

Cometer erros desnecessários por preguiça ou por negligência é o que causará os maiores desperdícios que você poderá enfrentar e já está claro que não precisamos mais começar um novo negócio colocando todas as fichas numa aposta cega, baseada apenas em nossa intuição.

Utilizando as ferramentas e as metodologias desenvolvidas nos anos recentes será possível poupar não apenas recursos, mas sobreviver a situações que antes decretariam o fim do nosso negócio.

Recomendamos que você tome cuidado com fórmulas mágicas e caminhos fáceis que podem levar a becos sem saída. Não economize tempo e esforço no entendimento do problema e não deixe de entrevistar seus segmentos de clientes antes de começar a desenvolver sua solução.

 

[1] Pelo impacto na estrutura de custos que levam a margens menores.

[2] Definição composta pelas ideias de Steve Blank e Eric Ries condensadas.