Como fica o Produto Mínimo Viável (MVP) na perspectiva do Mínimo Serviço de Valor (MVS)?

Mínimo Serviço de Valor

Como fica o Produto Mínimo Viável (MVP) na perspectiva do Mínimo Serviço de Valor (MVS)?

 

“O Lean Startup traz perspectivas interessantes para otimizar os processos de desenvolvimento. Esse recurso de produtividade será incrivelmente útil desde que os empreendedores estejam construindo algo relevante para os seus segmentos de clientes. O Design de Serviços, por ser centrado no ser humano, abre uma janela de empatia que conecta o empreendedor com os problemas, necessidades e desejos das pessoas. ”

Tenny Pinheiro[1]

Sem dúvida, o surgimento de metodologias como o Desenvolvimento de Clientes de Steven Gary Blank e Lean Startup de Eric Ries, transformaram o mundo dos novos negócios na primeira década do Século XXI.

Vieram como resposta à falência dos processos que conquistaram seu espaço e sua utilidade nos Anos de Ouro do Capitalismo, mas não respondiam mais à realidade vivenciada pelos empreendedores nesses tempos de transformação acelerada.

As duas metodologias – Desenvolvimento de Clientes e Lean Startup – quando combinadas formam a base do caminho recomendado aos empreendedores que desejam enveredar pelo campo arriscado dos modelos de negócio escaláveis e repetíveis das startups de tecnologia; mas ainda deixam uma ponta solta.

A solução ainda vem antes do cliente

Ao observar o trabalho Steven Blank, verifica-se claramente a premissa de que os empreendedores chegam com uma solução e, na primeira etapa, precisam encontrar seus segmentos de clientes. Ou seja, a tecnologia é que direciona o esforço e não as dores dos segmentos de clientes para quem a solução foi (ou deveria ter sido) construída.

O MVP, por sua vez, é parte fundamental do Lean Startup e ajuda a acelerar o ciclo de aprendizado e a reduzir o desperdício de recursos durante o processo de encaixe entre o problema e a solução. Mas e a experiência do cliente?

Apesar do BMG Canvas criado por Alexander Osterwalder e Yves Pigneur colocar o cliente como central no processo, a maior parte dos negócios ainda nasce da intuição dos empreendedores, são focados no desenvolvimento de produtos e praticamente ignoram a experiência dos clientes fora desse âmbito.

UI, UX e CX, nessa ordem?

O que vemos é uma grande preocupação dos empreendedores com o UI (Interface com o Usuário), menor com UX (Experiência do Usuário), mas ainda pouco entendimento ou esforço para o desenvolvimento do CX (Experiência do Cliente), base fundamental da sustentabilidade do negócio no longo prazo.

De modo geral, os empreendedores iniciam os esforços do microambiente da UI, avançam para a UX e, quando começam a perder clientes (Churn) a taxas elevadas, correm para desenvolver uma resposta de CX, que normalmente é parcial e envolve uma equipe de CS (Sucesso do Cliente), ainda focada exclusivamente na experiência com o uso do produto (tecnologia).

O marketing evoluiu junto com a Internet e o comportamento dos segmentos de clientes, mas seu foco ainda se concentra na geração de leads e na otimização das taxas de conversão. Ou seja, em aquisição de clientes e aceleração do crescimento e não dá conta da experiência como um todo.

O problema disso é que estamos saindo de uma economia de transações e entrando no mundo dos relacionamentos, onde as pessoas não se importam mais tanto em ter coisas, mas querem ter acesso ao serviço (job-to-be-done) que elas prestam. E esse serviço envolve todos os momentos da sua jornada e não somente a jornada de compra – afinal não estão comprando, estão “alugando” o produto na visão de Clayton Christensen.

Quem pode ajudar a pensar na jornada e na experiência e ampliar o entendimento do empreendedor sobre o comportamento, a mentalidade e o sentimento do cliente é o Design de Serviços que recentemente ganhou a contribuição da ideia do Mínimo Serviço de Valor (MVS).

Onde o  Mínimo Serviço de Valor entra nessa equação?

O MVS expande nosso olhar e reorienta os processos, tirando nosso foco do desenvolvimento do produto, deslocando-o para a experiência do cliente ao tratar da jornada e coloca a startup no caminho certo desde o primeiro dia!

O projeto nasce da visão empática do empreendedor que se preocupa em compreender os segmentos de clientes através dos usuários extremos e a desenhar a experiência como um todo, com base nas informações e insights conseguidos através de clientes reais e não apenas da sua intuição.

Ao invés de desenvolver hipóteses a serem validadas empiricamente, o empreendedor pode ir direto para a construção de uma solução inspirada na vida e nos problemas enfrentados por clientes reais, eliminando uma boa dose de suposições, sem com isso diminuir a criatividade e a intuição, que ainda farão diferença para o sucesso ou fracasso de sua startup.

Nesse contexto, MVP continua válido e deve ser utilizado, mas com a compreensão de que o produto é apenas parte da solução e que a experiência da jornada do cliente é que garantirá o crescimento e a sustentabilidade do novo modelo de negócios.

 

[1] Referência da citação: http://blog.experientia.com/breaking-free-from-the-lean-startup-religion-the-service-designer-manifesto/