Escalabilidade: o Santo Graal das Startups

Escalabilidade: o Santo Graal das Startups

 

“Uma startup é um grupo temporário de pessoas trabalhando em condições de extrema incerteza para desenvolver um modelo de negócios repetível e escalável para entregar um novo produto ou serviço.”

Definição composta por ideias de Eric Ries e Steve Blank

Estamos há duas semanas tratando do tema da difusão de inovações. Não é por acaso que esse tema é tão importante para as empresas em geral e para as startups, em específico. A Internet, aliada às reduções dos custos de transporte internacional abriu as portas de mercados globais para um conjunto expressivo de empresas e muitas startups já nascem com a missão de conquistar o mundo e buscam escalar rapidamente seus negócios.

Temos duas histórias diferentes de dois ícones do nosso tempo que podem nos ajudar a compreender as especificidades desses processos: A Apple, de Steve Jobs e Steve Wosniak e a Microsoft, de Bill Gates e Paul Allen. Ambas as empresas nascem em meados dos anos de 1970 dentro das universidades americanas, conduzidas por jovens geniais e à frente do seu tempo, que surfam a onda – que vai se transformar em um tsunami – da transição dos Computadores Mainframes para os nossos inseparáveis PCs (Personal Computers).

A redução dos componentes, a revolução dos transistores e o crescimento exponencial da capacidade dos processadores – como previsto pela Intel em seus primórdios – abriu os caminhos para tornar factíveis os projetos de PCs naquele momento. Steve Jobs e Steve Wosniak fizeram a opção por entrar nesse mercado com uma solução completa de hardware e software e de competir com a IBM pelo mercado nascente de PCs, adotando um modelo de negócios do tipo B2C (business to consumer). A Micro-Soft (se escrevia assim em seu início), entra em um mercado muito mais incerto e arriscado naquele momento (softwares são linhas de código que, em tese, poderiam ser facilmente copiados), mas com um modelo de negócios do tipo B2B (business to business), altamente escalável.

 

Escalabilidade
Quando analisamos as séries históricas de faturamento das duas empresas, fica claro o que significa o termo escalável!

 

Como se pode verificar, a Apple vai superar a Microsoft em faturamento somente em 2012 após alcançar o mercado principal com o pivot promovido por Steve Jobs em sua volta triunfal como CEO da empresa. Apesar disso, Bill Gates continua a ser um dos homens mais ricos do mundo[1] (se não o mais rico), e deve isso em grande parte por seu pioneirismo no mercado de softwares e das características intrínsecas ao seu modelo de negócios.

Mas enfim, o que é um modelo de negócios escalável?

Se observarmos os modelos de negócio de softwares verificaremos algumas características comuns. O Valor Adicionado de um software como sabemos está de fato escondida em suas linhas de código da qual, por sua vez, dependem de pessoas capacitadas trabalhando horas a fio em seu desenvolvimento, normalmente em período integral e recebendo um salário fixo (e, em algumas startups, em troca de participação futura na empresa). Enfim, um software de código fechado, ao ser desenvolvido por uma equipe no interior de uma empresa gera um custo que não guarda relação direta com a quantidade de usuários da solução e esse é um dos principais custos a que está submetida uma empresa de software, juntamente com espaço físico, equipamentos, marketing e vendas[2].

Escalabilidade

Uma empresa desse tipo opera com grande Alavancagem Operacional e tem, portanto, como característica, uma estrutura de custos com predominância de custos fixos. São empresas cujos resultados são muito sensíveis às variações no volume de vendas (para cima ou para baixo), mas que, após ultrapassado o seu ponto de equilíbrio, aumentarão seu lucro bruto mais que proporcionalmente aos aumentos verificados no faturamento. São negócios que, em geral, não conseguem crescer paulatinamente em decorrência da predominância de custos fixos e, por isso, em muitos casos, encontram dificuldades para cobri-los no início da operação. Não à toa as startups dependem de aportes financeiros para ultrapassar o abismo e se tornarem rentáveis.

Empresas de serviço como a Soul Social não são escaláveis em sua essência, pois seus custos variáveis crescem proporcionalmente aos aumentos de receita – vendemos horas de consultoria e isso depende sempre de pessoas diretamente alocadas – mas podem crescer lentamente, mantendo seus custos sob controle, mais ou menos compatíveis com suas receitas. Empresas como a Apple ficam no meio do caminho, pois, apesar da escala que podem alcançar, nunca serão tão rentáveis (em termos relativos), quanto à Microsoft, uma vez que, além do desenvolvimento (design) e marketing em seus custos há também matéria prima, insumos, mão-de-obra direta, comissões de vendas, fretes e outros custos que crescem em proporção ao aumento das vendas.

Como podemos perceber, a escalabilidade de um negócio será determinada por duas variáveis inter-relacionadas, uma externa e outra interna: Em primeiro lugar, pelo tamanho do mercado potencial e, em seguida, pela composição dos custos em seu modelo de negócios. Normalmente, quando falamos de startups, pensamos em mercados grandes, que podem ser conquistados rapidamente, de modo que o mercado de softwares e aplicativos acaba seduzindo os VCs que desejam recuperar seus investimentos mais rapidamente.

A despeito do impacto de soluções mais completas como a da Apple – que agregam mais valor à economia e à sociedade em termos de geração de empregos e com seus encadeamentos (para frente e para trás) nas cadeias produtivas (fornecimento, distribuição, comercialização, etc) – hoje o que se vê aqui no Brasil é um foco excessivo do ecossistema empreendedor (empreendedores, incubadoras, aceleradoras, investidores) nas soluções altamente escaláveis, de valor inicial mais baixo e, portanto, de retorno mais rápido e, consequentemente, menor risco envolvido.

A Soul Social não quer apenas auxiliar startups (na moderna acepção do termo), mas empresas nascentes de várias naturezas e com diferentes potenciais de escalar. Nossa preocupação inicial é com a realização pessoal do empreendedor e, em seguida, com o potencial de sua solução. Não atendemos unicamente o ecossistema de startups, nem competimos com o SEBRAE, atendendo pequenos negócios tradicionais. Auxiliamos pessoas empreendedoras, a concretizar ideias, viabilizar projetos e acelerar o crescimento dos negócios.

Se você tem uma ideia, ou um projeto inovador que pode impactar positivamente a vida das pessoas, conte conosco para lhe auxiliar. Conheça nossos serviços de mentoria online, consultoria, assessoria e aceleração e veja como podemos contribuir para a concepção ou aceleração do seu projeto.

 

 

[1] Embora sua fortuna atualmente se deva somente em parte à Microsoft.

[2] A Microsoft, após comprar o sistema Q-DOS (e desenvolver o MS-DOS) e depois com o Windows ainda pode reduzir drasticamente seus custos de marketing ao embedar sua solução nos PCs comercializados pela IBM – o que a tornou ainda mais escalável. Atualmente, ao adotar o modelo do tipo SaaS (Software as a Service) reduziu ainda mais seus custos com a produção de embalagens, impressão de CD/DVDs e manuais e distribuição do produto, pois sua solução é baixada pelo usuário final, diretamente da nuvem.

 

  • Excelente postagem! Parabéns pelo conteúdo, Thiago! 🙂