Minha ideia é uma oportunidade de negócio?

oportunidade de negócios

Minha ideia é uma oportunidade de negócio?

 

“Os resultados são obtidos através da exploração de oportunidades, não pela solução de problemas”.

Peter Drucker

Encontrar um problema relevante a ser resolvido é o primeiro passo para identificar uma oportunidade de negócio, mas não é suficiente.

No post anterior falamos sobre a necessidade de confirmar nossas suposições a respeito do problema e sua real gravidade pela perspectiva dos segmentos de clientes que acreditamos serem os adotantes iniciais da nossa solução e, se fomos bem-sucedidos nesse esforço, conseguimos compreender o job-to-be-done, ou o trabalho a ser realizado por essas pessoas[1].

Por essa perspectiva, verificamos que a nossa solução é apenas uma das possíveis soluções existentes para resolver o problema que buscamos enfrentar e que, por esse motivo, é muito provável que, em sendo um problema real, as pessoas encontraram ou ao menos buscaram, com ou sem sucesso (ou ainda com sucesso relativo), outros caminhos para enfrenta-lo.

Fica claro para nós que não existe nenhuma ideia que não enfrente competição e que, por mais inovadora que seja, há sempre algum competidor a ser superado, correto? É nesse ponto que identificamos se há realmente uma oportunidade de negócio.

Demanda versus a Oferta Existente

Será sempre preciso contrapor a demanda (problema) à oferta existente (soluções) para uma correta avaliação da oportunidade de negócio. Um problema real em um grande mercado pode ser considerado uma oportunidade de negócio caso nossa solução possa superar e se diferenciar das soluções existentes e nossa proposição de valor for realmente atraente para nossos segmentos de clientes.

O Século XXI e a Internet ampliaram nossa abrangência geográfica permitindo que atendêssemos nichos antes considerados inviáveis com soluções escaláveis, mas o que é verdadeiro para nós é também válido para os nossos competidores. Se antes tínhamos de nos preocupar apenas com as empresas nacionais ou multinacionais instaladas em nosso país, hoje competimos com empresas e startups de qualquer parte do mundo que consigam fazer sua mensagem chegar até nossos segmentos de clientes.

Não podemos ignorar a existência da competição e devemos antes de mais nada mapeá-la para, em seguida, analisa-la pela ótica dos nossos segmentos de clientes:

  • Quem são e o que fazem os nossos competidores? Quem são nossos concorrentes diretos? Quem oferece soluções semelhantes à nossa? Quem resolve os mesmos problemas?
  • Como nossos clientes avaliam as soluções existentes? Qual é a curva de valores que está em disputa no mercado que pretendemos atuar? Temos como nos posicionar em meio aos competidores existentes nos destacando em um ou mais atributos de valor vigentes?
  • O que podemos alterar nessa curva de valores? Podemos colocar em disputa um novo atributo que ninguém ainda tenha desenvolvido?
  • Ainda pela ótica do cliente, como nos posicionamos atualmente? Como podemos facilitar o seu entendimento em relação aos diferenciais da nossa solução?

A estrutura de mercado – o olhar do investidor

Se acreditarmos sermos capazes de criar e entregar uma solução que supere a dos nossos competidores e/ou que consiga atender um outro segmento de clientes ainda não explorado, teremos em mãos uma oportunidade de negócio, caso contrário, não devemos investir nesse mercado.

Para auxiliar-nos nessa avaliação devemos também acionar as Forças de Porter e avaliar as barreiras à entrada existentes no mercado que buscamos alcançar, a rivalidade existente entre os competidores já instalados e a possibilidade da entrada de produtos substitutos. Ainda devemos avaliar o poder de barganha de nossos fornecedores, o poder de barganha de nossos clientes e, por último, mas não menos importante, a atuação do Estado (Governo) em nossa indústria (a 6ª Força).

Cinco Forças de Porter

A importância do timing

Se consideramos nossa solução atraente para os nossos segmentos de clientes e factível de ser implementada, devemos avaliar se o seu momento é agora. Muitas ideias nascem fora do tempo e se esse for o caso da sua ideia há uma grande chance dela não prosperar. Ideias que para funcionar precisam alterar a cultura das pessoas, podem facilmente ficar presas na travessia do abismo e não escalar, pois os custos de aquisição de clientes podem superar em larga margem o valor que eles irão gerar, ou a estreiteza do mercado inicial e o tempo necessário para difundir a inovação inviabilizar o projeto pelo tempo de retorno dos valores investidos.

Decidindo seguir

Se após tudo isso você avaliar que pode superar a competição e tem em mãos um mercado potencial que justifique os investimentos e os riscos da empreitada, você deve seguir adiante e explorar essa oportunidade de negócio.

Passamos rapidamente por conceitos complexos e fizemos colocações que derivam da nossa interpretação. Caso você tenha alguma dúvida, alguma crítica, ou possa ilustrar com sua experiência algumas de nossas colocações, ou apenas deseje complementar nossas ideias, não deixe de escrever nos comentários. Sua opinião é muito importante para nós, bem como para outros empreendedores que podem se inspirar com sua história e seus conhecimentos.

Sinta-se em casa. Se você é uma pessoa que deseja empreender, aqui é o seu lugar!

[1] Já tratamos desse conceito em outras oportunidades, mas é importante tê-lo sempre em mente quando falamos de inovação. Clayton M Christensen cunhou esse termo com base em uma ideia muito interessante: As pessoas quando compram um produto, ou buscam um serviço, estão de fato tentando resolver um problema. Elas “alugam” um produto para desempenhar uma função associada a uma necessidade nem sempre evidente. Entender os motivos (raiz dos problemas) que levam um determinado segmento de clientes a comprar um produto irá nos auxiliar na definição da competição existente e a nos diferenciarmos dos nossos competidores.