MVP: afinal, o que é um Produto Mínimo Viável?

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 MVP: afinal, o que é um Produto Mínimo Viável?

 

” A melhor maneira de se ter uma boa ideia é ter um monte delas e jogar as ruins fora.”

Linus Pauling

A primeira vez que me deparei com o termo MVP foi lendo o livro Lean Startup de Eric Ries. Achei o conceito muito interessante, mas não consegui transportar imediatamente aquelas ideias para empresas que dependem menos de códigos de programação, que envolvem produtos tangíveis ou estruturas de tijolo e argamassa. Para Eric Ries o Produto Mínimo Viável corresponde a versão de um novo produto que permite o máximo de aprendizado sobre os clientes, com o mínimo de esforço e recursos.

Essa definição é ampla e num primeiro olhar, parece mais adequada ao mundo dos softwares. Apesar disso, aqui na Soul Social apoiamos projetos empreendedores dos mais variados matizes, possibilidades de crescimento e escala e conseguimos nos apropriar do aprendizado trazido pelos novos pensadores do Século XXI e utilizar essas metodologias para quaisquer tipos de projeto.

Entendemos o Desenvolvimento de Clientes como um roadmap e o Lean Startup como um mindset e que ambos compõem um ferramental fundamental para prosperar em um mundo em rápida mudança. Mas também gostamos muito do Design Thinking e percebemos que, quando se incorpora a forma de pensar e as metodologias dessa escola, é possível formar uma visão mais ampla e acabada da ideia de um MVP.

Há várias escolas que trabalham o Design Thinking, mas, pessoalmente, gosto da linha do Human Centered Design – HCD (Design Centrado nas Pessoas) da IDEO de Tim Brown. Para quem não é familiar com o conceito, o HCD pensa nos projetos se equilibrando em um tripé que sempre tem início em uma solução que seja atrativa (desejável) para as pessoas (clientes), mas que também seja factível do ponto de vista dos recursos e competências disponíveis e, não menos importante, que seja economicamente viável (modelo de negócios). A ideia aqui é a de que caso algum desses três pontos de apoio falhem, seu projeto irá falhar.

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Human Centered Design – IDEO

Apesar da linguagem diferente e das diferentes aplicações para o HCD, ele se parece muito com as metodologias de ponta do mundo das startups. Para o HCD, o primeiro e crucial passo é o entendimento aprofundado dos nossos clientes e a definição clara do problema a ser resolvido. Somente após essa aproximação empática ao mundo dos nossos clientes é que seremos capazes de entender a essência do problema e começar a pensar em possíveis soluções. Aqui o conceito de prototipação se aproxima muito do MVP. O Mínimo Produto Viável é um protótipo que irá nos auxiliar a validar os conceitos da nossa solução, iterar com nossos clientes e chegar à solução acabada com a ajuda dos nossos adotantes iniciais.

Desenvolvimento de Clientes

Nesse sentido, podemos pensar em mais de um MVP, ou uma evolução de MVPs ao longo dos processos de validação. Inicialmente, após validarmos se o problema é concreto, real e relevante para ao menos um segmento de clientes, precisaremos começar a validar nossa solução, correto? Precisamos ter certeza de que ela é atrativa (desejável) em sua essência e podemos testar com uma simples Landing Page se a nossa Proposição de Valor encontra reverberação junto aos nossos segmentos de clientes. Também podemos fazer isso com uma apresentação em PowerPoint, ou um scatch num pedaço de papel. Num outro nível, no mundo de tijolo e argamassa, podemos testar se a comida que iremos oferecer em nosso novo restaurante é agradável ao paladar de nossos clientes cozinhando em casa para convidados, ou numa estrutura improvisada (food truck, por exemplo). Podemos verificar se o design das roupas que criamos são do gosto dos segmentos identificados, produzindo-as na menor escala possível e vendendo-as de porta-em-porta, ou, se preferir, pelo Facebook. Podemos difundir nossa música pelo nosso canal do Youtube. Escrever nosso livro iterando com nossos leitores pelo nosso Blog, ou pelo Widbook. Enfim, esse primeiro MVP será a forma criativa mais barata possível para testar o núcleo duro da nossa solução.

Esse seria nosso Mínimo Produto Desejável (numa apropriação do termo cunhado por Andrew Chen nesse post). Se isso falhar, o resto também irá falhar. Quando conseguirmos chegar em uma solução técnica um pouco mais sofisticada (no encaixe entre o problema e a solução – ou o Mínimo Produto Factível), podemos começar a validar nosso modelo de negócios, tentando vender nossa solução aos adotantes iniciais para, junto com eles, desenvolver nosso produto final. Esse terceiro protótipo será mais sofisticado e nos auxiliará a testar nossos canais, nossa forma de relacionamento com os clientes e as formas de monetização da nossa solução, esse sim, será um Mínimo Produto Viável, se pensarmos na linha do HCD.

Partindo-se desse MVP iteraremos até a solução completa com a qual tentaremos escalar nossa solução e alcançar o mercado principal. A essa altura já teremos muito aprendizado e um tracking record de métricas importantes. Saberemos os custos de aquisição de clientes, as taxas de conversão dos canais e os vazamentos que ocorrem em nosso funil de vendas, bem como o churn (taxa de abandono) e valor gerado por esses clientes. Dados que utilizaremos para fazer as projeções de investimentos, calcularmos o ponto de nivelamento e o retorno sobre o investimento (ROI). Informações essenciais para calcular o valor da nossa empresa e negociar aportes com eventuais investidores.

Resumidamente, um MVP é um protótipo que irá evoluir até alcançar o status de produto acabado. Em minha opinião, um produto de excelência, que resolva o problema e se encaixe perfeitamente às necessidades e desejos dos nossos segmentos de clientes é fator fundamental para o sucesso de uma startup e muita energia deve ser investida nesse sentido antes de se tentar escalar o negócio. Um bom encaixe do produto no mercado marca a fase final de descoberta e validação no Desenvolvimento de Clientes e inicia a fase de transição de startup para uma empresa.

Muitos empreendedores tentam saltar etapas e buscam otimizar seus canais e escalar o negócio antes da hora, antes de alcançar o encaixe entre o produto e o mercado, desviando recursos escassos (humanos, materiais e financeiros) e selando assim o destino de uma ideia viável. Paciência e feeling serão essenciais para se decidir o momento correto de otimizar os canais e investir na atração e conversão de clientes. Até lá a startup deverá poupar o máximo de recursos e conseguir alcançar o máximo de aprendizado com o uso de MVPs desenhados para cada momento de aprendizado.

Caso você tenha uma experiência com prototipação ou com um MVP e deseje compartilhar conosco, deixe sua história aqui nos comentários. Se, por outro lado, discorda ou deseja acrescentar algo a essa nossa reflexão, sinta-se em casa. Será um prazer debater e conhecer outros pontos de vista que possam somar e auxiliar outros empreendedores a terem sucesso em seus projetos.