O que é mais arriscado: desenvolver sua ideia em segredo ou ser copiado?

ideia em segredo

O que é mais arriscado: desenvolver sua ideia em segredo ou ser copiado?

 

“Arrisque-se! Toda vida é um risco. O homem que vai mais longe é geralmente aquele que está disposto a fazer e a ousar. O barco da ‘segurança’ nunca vai muito além da margem.”

Dale Carnegie

 

Muita gente tem medo de testar suas ideias por medo de ser copiado. Um medo natural e compreensível, mas que em muitos casos impede que a ideia se concretize, ou a condena ao fracasso.

Há sempre um risco de termos nossas ideias copiadas, mas, de modo geral, raramente nossas ideias são tão únicas e inovadoras como imaginamos e quase sempre haverá outros empreendedores em algum lugar do planeta tentando encontrar uma solução para o mesmo problema através do mesmo caminho que nós.

Sabemos que em qualquer momento do tempo há empresas abrindo, fechando, falhando ou prosperando na mesma indústria, o que demonstra com clareza que o que realmente importa é a execução de uma ideia e não a ideia em si. Por que então temos tanto medo de ter nossas ideias roubadas?

Se ponderarmos os riscos de desenvolver uma ideia em segredo e de ter a ideia copiada, o primeiro supera o segundo em larga margem. Senão vejamos: para que alguém roube nossa ideia e a execute melhor que nós será preciso mais do que simplesmente ouvir falar sobre uma ideia, será preciso se debruçar sobre o problema e trabalhar duro para colocar todas as coisas no lugar mais rápido e com mais eficiência do que nós. O que, apesar de não ser impossível, na maioria dos casos, é pouco plausível.

Por outro lado, ao iniciarmos a execução da nossa ideia em segredo, acreditando que ela só poderá vir à público quando estiver prefeita para os clientes mais exigentes, poderemos criar problemas de difícil solução.

Veja essa lista com 7 pontos defendendo a exposição precoce da ideia e a validação das hipóteses iniciais:

Nossas ideias não são tão boas como imaginamos

Sabemos que 9 em cada 10 startups irá falhar e que a grande maioria irá falhar por criar algo que as pessoas simplesmente não querem.

Por si só esse seria um bom motivo para não fazermos as coisas em segredo, mas se ainda não está convencido, temos mais 6 motivos.

Nosso entendimento do mundo é restrito e enviesado

Temos uma visão parcial do mundo, pois conhecemos apenas uma parcela das pessoas, dos mercados, das indústrias, dos países. Vivemos em nosso micromundo e com frequência acreditamos que esse é o único mundo que existe e interpretamos as coisas com base nessa crença absolutamente furada.

O primeiro passo para criarmos uma solução atrativa aos nossos segmentos de clientes é conhece-los profundamente e enxergarmos o mundo através de seus olhos. Ao nos recolhermos para criar as coisas em segredo, estaremos abrindo mão de um dos recursos mais valiosos do design, a empatia.

Trabalhamos com hipóteses e não com fatos

Quando desenhamos um Modelo de Negócios inovador estamos apostando nossas fichas em hipóteses e não em fatos. Mesmo que inconscientemente, nós acreditamos que um conjunto de premissas são verdadeiras e que por assim serem, asseguram que nossa Tese de Negócios é verdadeira.

O fato é que, caso alguma das premissas não seja verdadeira, nossa ideia poder cair como um castelo de cartas e desmontar nossa Tese de Negócios, inviabilizando nosso Modelo de Negócios.

Nossos competidores estão desenvolvendo uma solução independente de nós

Se há algo que aprendemos rapidamente enquanto empreendedores é que nossos competidores não estão esperando por nossos movimentos. Eles estão trabalhando em seu ritmo, validando suas hipóteses e avançando nos encaixes necessários entre o problema e a solução e entre produto e o mercado.

Enquanto estamos escondidos e com medo de sermos copiados, nossos competidores estão avançando sem nem saber de nossa existência e irão nos superar antes mesmo que tiremos nossa cabeça do buraco.

Perdemos tempo de construir nossa base de clientes e autoridade para a marca

Ao mantermos nossa ideia em segredo, perdemos a oportunidade de construirmos autoridade para nossa marca e começarmos a construir uma base de potenciais clientes interessados em nossa futura solução.

Teremos custos de aquisição de clientes mais altos e seremos dependentes de mídia paga, enquanto com uma postura de maior exposição, podemos investir mais tempo em conteúdo de qualidade, na captura de e-mails e num relacionamento prévio com nossos futuros clientes, melhorando, inclusive, o posicionamento do nosso site nos mecanismos de busca orgânica (SEO).

Não criaremos oportunidades para receber feedbacks e ter insights importantes

Sem nos relacionarmos com nossos segmentos de clientes antes de termos nossa solução em condições de uso, estaremos desperdiçando a possibilidade de feedbacks e insights que poderão fazer grande diferença para o encaixe entre o problema e a solução e acelerar o encaixe do produto no mercado.

Estamos saindo de um mundo no qual predominam as relações transacionais e entrando num mundo de relacionamentos. Um mundo com a dominância do serviço –  uma jornada co-criada com o cliente. Sem feedback sobre a jornada, como poderemos criar uma experiência inovadora aos nossos clientes?

Investiremos tempo e recursos demais para conseguirmos pivotar nossa ideia

Já sabemos que 9 entre 10 ideais criadas não irá prosperar, mas sabemos também que 2/3 das ideias que prosperam, foram alteradas ao logo do caminho. A essa mudança de curso, denominamos pivotar. Na visão de Ash Maurya, autor de Running Lean, o que importa não é o plano A, mas encontrarmos um plano que funcione antes de esgotarmos nossos recursos.

Se seguirmos no modo stealth por muito tempo, quando resolvermos dar as caras ao mundo e descobrirmos que não era bem isso que nossos clientes queriam, será tarde demais, pois teremos utilizado recursos demais, por tempo demais, não sobrando margem para reorientarmos nossas estratégias e, desse modo, condenaremos nosso projeto ao fracasso.

Fechando tudo

De fato, há um risco de ser copiado, especialmente após termos encontrado o encaixe do produto no mercado, ou validado nosso Modelo de Negócios.

Para nos proteger, devemos correr para escalar nosso negócio e erigir barreiras efetivas aos nossos potenciais competidores e nada melhor do que estar no radar de investidores e prontos para escalar o negócio.

Nesse sentido, ter recebido apoio de especialistas, passado por todas as etapas do desenvolvimento de clientes, validado as hipóteses mais arriscadas do Modelo de Negócios, bem como ter construído as bases que permitam escalar o negócio rapidamente farão grande diferença na avaliação dos investidores e os aportes recebidos protegerão a startup de ser copiada ao posicioná-la como o principal player no mercado e demandar grande investimento para demovê-la dessa posição.