As principais dificuldades dos empreendedores nos anos iniciais

principais dificuldades

As principais dificuldades dos empreendedores nos anos iniciais

 

“Não é o empregador quem paga os salários, mas o cliente. ”

Henry Ford

 

Sabidamente o Brasil não é um dos países mais fáceis para se empreender, mas ainda há grandes oportunidades por aqui.

A burocracia excessiva, a legislação confusa, a quase inexistência de linhas de financiamento para capital de giro e taxas de juros aviltantes praticadas pelos bancos, são alguns dos obstáculos que temos de lidar ao empreender por essas bandas.

Contudo, considerando-se que essas são características do nosso ambiente há muito tempo e que pessoalmente não temos muito o que fazer a esse respeito, ao final, damos por barato e seguimos com nossos projetos conformados de que, ao menos por agora, não há outra maneira.

Mas o fato que gostaríamos de destacar aqui é que, apesar de atrapalhar, essas coisas realmente não inviabilizam nossos projetos e, de maneira geral, não são elas que matam nossas ideias; somos nós que cometemos erros.

As estatísticas nacionais não nos ajudem a esclarecer a história das empresas que encerraram suas operações e os empreendedores até recentemente se apoiaram nas causas externos para justificar seus fracassos.

Felizmente, no mundo das startups e desse novo empreendedorismo, tornou-se comum falarmos de nossos erros e de nossas quedas sem receio de sermos julgados como incompetentes e começamos a deixar algumas lições aprendidas aos que percorrerão os mesmos caminhos.

O fato é que falhar é parte do empreender, assim como cair é a contraparte de andar de bicicleta. Por mais que tentem nos aconselhar, provavelmente, continuaremos aprendendo prioritariamente pela nossa própria dor.

Então, quais são as principais dificuldades?

Segundo o levantamento realizado em 2000-01, coordenado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, com o objetivo de analisar as principais características do processo empreendedor na América Latina (incluindo Brasil[1], Argentina, Peru, México) e na Ásia (Japão, Coréia, Taiwan e Singapura)[2], as principais dificuldades enfrentadas pelos empreendedores brasileiros durante os 3 primeiros anos de operação foram:

principais dificuldades

 

Manter um fluxo de caixa equilibrado e conseguir clientes

Dois grandes problemas enfrentados pelas empresas nascentes dizem respeito somente a elas e estão inter-relacionados: A dificuldade de conseguir clientes e em manter o fluxo de caixa equilibrado.

Não é incomum subestimarmos não somente os custos para aquisição de clientes (CAC), mas também cometemos erros mais graves, como o de não ter uma estratégia, nem um Plano de Marketing estruturado antes de começar a operar.

Imaginamos, com base em algum tipo de delírio coletivo, que as pessoas farão fila em nosso novo restaurante, pagarão ágio para receber antes os nossos produtos ou derrubarão os nossos servidores pelo volume de acessos em nosso App.

Infelizmente, como demonstrou com clareza Chris Anderson em seu livro a Cauda Longa, vivemos num mundo de abundância e essa abundância tem como subprodutos a competição acirrada e a falta de atenção dos nossos segmentos de clientes (que se torna uma moeda, na visão de Thomas Davenport).

Portanto, por mais incrível que seja a nossa solução, dificilmente as pessoas estarão procurando ativamente por ela.

As pessoas são feitas de hábitos e os hábitos limitam o alcance do novo. Afinal, apenas 2,5% da nossa sociedade é considerada inovadora e outros meros 13,5%, são adotantes iniciais.

Mas, mesmo os inovadores e adotantes iniciais, para consumirem nossos produtos e serviços, precisam saber que a nossa empresa existe e que podemos resolver um problema concreto e real que eles enfrentam. Como você planeja fazer isso?

Um plano, recursos para investir e fôlego para sobreviver

Dependeremos destas pessoas especiais para dar a partida em nosso projeto e temos que pensar em como as alcançaremos antes de começar a operar.

O entendimento aprofundado dos segmentos de clientes, um bom plano de marketing, recursos para investir e uma equipe ou empresa para executar essas estratégias serão decisivos para o sucesso de um novo negócio nesse ambiente em transformação.

Capital circulante para cobrir os déficits operacionais também serão fundamentais para manter sua empresa em funcionamento nos anos iniciais.

No fim e ao cabo, todas as empresas operam no mesmo ambiente e serão aquelas melhor preparadas que serão bem-sucedidas em suas empreitadas.

Não busque por culpados, mas faça uma boa autocrítica quando, eventualmente, as coisas derem errado. 

 

[1]     A equipe técnica no Brasil: Prof. Dr. Miguel J. Bacic – coordenador -, Profa. Dra. Maria Carolina de A. F. de Souza, Prof. Dr. José Newton C. Carpintéro, Prof. José Walter Martinez, Prof. Luiz Antonio T. Vasconcelos, Pesq. Daniela Gorayeb.

[2] Foram estudados 1.271 empreendimentos, sendo 689 na América Latina: Argentina, Brasil, México, Costa Rica e Peru; e 582 no Leste Asiático: Japão, Coréia do Sul, Taiwan e Singapura; Pesquisa financiada pelo BID e o Banco de Desenvolvimento do Japão. Abrangência Setorial:Empresas industriais convencionais: têxtil, metalúrgica, mecânica,  cerâmica, etc.; Empresas intensivas em conhecimento: software, dados, negócios de telecomunicações e relacionados à Internet.

  1. O objeto de pesquisa

Empresas distribuídas de acordo com determinados critérios relacionados ao grau de dinamismo (medido pelo crescimento oferta de emprego), tipos de indústria e padrão tecnológico, localização, porte (apenas PMEs) e idade (mais do que 3 e menos do que 10 anos). No Brasil foram amostradas 169 empresas, distribuídas da forma ilustrada, abaixo.

Distribuição das empresas no Brasil:

– Geográfica: 43 empresas na Região Metropolitana de Campinas, incluindo Indaiatuba e Americana (predominância de PEs); e 126 empresas na Região Metropolitana de São Paulo.

– Setorial: 57 empresas de setores baseados no conhecimento. 112 de setores convencionais