O que devo fazer após ter uma ideia de negócios?

ideia de negócios

O que devo fazer após ter uma ideia de negócios?

 

“As pessoas otimistas têm um papel desproporcional na formação de nossas vidas. Suas decisões fazem a diferença; eles são inventores, empresários, líderes políticos e militares – não pessoas medianas. Elas chegaram onde estão buscando desafios e assumindo riscos. “

Daniel Khaneman

 

Pessoas empreendedoras estão sempre atentas, observando o mundo ao seu redor em busca de oportunidades para transformá-lo. Boas ideias podem surgir em momentos inesperados e de pessoas improváveis, mas por que apenas algumas delas ganham vida?

Sabemos que menos de 10% das ideias que são levadas adiante prosperam, mas suspeitamos que uma parte não desprezível de boas ideias nunca saíram da cabeça ou da gaveta de um amplo conjunto de pessoas, vítimas de suas crenças limitantes e de auto sabotagem.

O medo de falhar, a falta de autoconfiança, o medo de ter a ideia roubada e a espera pelo momento ideal são alguns dos motivos que levam boas ideias a ficarem eternamente adormecidas e nunca verem a luz do dia.

Os possíveis destinos de uma boa ideia de negócios

Uma boa ideia de negócios pode ter 3 possíveis destinos: o primeiro, já mencionado, é a ela ficar engavetada. O segundo destino, não muito incomum, é a ideia ser desperdiçada e, o terceiro e mais desejado destino, é a ideia ser executada, prosperar e impactar a vida das pessoas.

Boas ideias são desperdiçadas, ou morrem precocemente, em muitos casos:

  • Por inflexibilidade do empreendedor que se apaixona por sua solução e não se abre para as necessárias adaptações que ela terá de passar até atingir a maturidade;
  • Por falta de método e planejamento; e
  • Devido à pressa e à impaciência, que levam o empreendedor a buscar por atalhos que não existem na realidade, pulando etapas importantes do processo e condenando sua ideia ao fracasso.

Nenhuma pessoa de boa-fé pode garantir que uma ideia prospere, qualquer que seja a metodologia e o ferramental que tenha desenvolvido, uma vez que isso dependerá de inúmeros fatores incontroláveis.

O fato é que, se não podemos garantir que uma boa ideia prospere, podemos preservá-la dos outros dois destinos.

Como então podemos ajudar que as ideias não fiquem engavetadas ou sejam desperdiçadas?

Essa é a questão que impulsiona o nosso trabalho aqui na Soul.

Queremos estimular que as ideias com potencial de transformar nossa sociedade, originadas da mente de empreendedores como você, sejam potencializadas e alcancem o sucesso.

Mas qual o primeiro passo que você deve tomar quando tem uma ideia de negócios?

Ou como identificar uma boa ideia em potencial?

Uma boa ideia de negócios, deve satisfazer algumas premissas:

  • Tratar de um problema relevante;
  • Identificar com clareza quem enfrenta o problema; e
  • Ser capaz de melhorar a experiência atual dessas pessoas ao enfrentar o problema.

O primeiro passo a ser dado, diferente do que muitos pensam, não é sair por aí perguntando para especialistas se a ideia é boa.

Boas ideias precisam, para se tornar boas, serem executadas, portanto, o que você precisa saber é se: O problema é real, concreto e relevante? Existe um mercado para atuar?

Faça uma pesquisa básica

Um bom início é fazer uma pesquisa básica, perguntando ao Google sobre o problema que você pretende resolver e verificar quais resultados aparecem.

Tente pensar como uma pessoa que enfrenta o problema que você pretende resolver e perguntar ao Google da mesma forma que uma pessoa que não conhece sua solução perguntaria.

Se você encontrar respostas, pode se aprofundar para verificar se aparecem apenas artigos, ou posts de alguma empresa que também oferece uma solução ao problema.

Normalmente o Google nos apresenta algumas sugestões automáticas para completar nossa busca. Verifique os resultados dessas outras sugestões.

Caso deseje ter uma noção da tendência dessas buscas, sugiro uma olhada no Google Trends para uma checagem rápida.

Faça um Sprint Etnográfico

Uma maneira confiável para identificar se o problema é relevante e, ao mesmo tempo, identificar seus segmentos de clientes é sair do prédio e conversar com pessoas reais.

Nesse momento sua ideia ainda não é importante. O que você busca é conhecer seus futuros clientes e verificar a importância que eles darão a uma possível solução para o problema que você busca resolver.

Monte um pequeno questionário semiestruturado (um guia), com perguntas abertas relacionadas ao problema e como eles os resolvem atualmente, para você conhecer um pouco mais sobre seus segmentos de clientes, os problemas que eles enfrentam, suas dores e seus potenciais competidores.

Busque seus clientes potenciais preferencialmente no contexto em que você imagina eles estejam enfrentando o problema e converse rapidamente (10 minutos aproximadamente) com eles, buscando identificar seus usuários extremos.

Caso você tenha dificuldades para encontrar pessoas com as dores que você pensava existir, não desista, talvez seja preciso ampliar seu público, ou direcionar seus esforços para outros segmentos.

Por outro lado, caso você consiga mapear um conjunto grande de pessoas que sente as dores do problema que você busca resolver, siga com seu projeto.

O que fazer em seguida para não desperdiçar uma boa ideia?

Busque pelos conhecimentos e pelas metodologias que se consolidaram nos anos recentes, como o Desenvolvimento de Clientes, o Lean Startup e o Design de Serviços.

Se aprofunde o máximo que puder no entendimento dos seus segmentos de clientes antes de começar a desenvolver sua solução, utilizando para isso as pesquisas de design.

Entenda o que te move: o seu propósito. Desenvolva a Proposição de Valor, a Missão, os Valores e a Visão de Futuro da sua empresa. Em seguida construa uma primeira versão do Modelo de Negócios para descrever a forma que sua empresa irá operar num futuro não muito distante.

Mapeie quais são as hipóteses mais arriscadas do Modelo de Negócios e elabore um Plano de Ação para implementar os experimentos que irão ajudar a validá-las e, paralelamente, os passos necessários para colocar sua empresa em operação.

Lembre-se que “uma startup é uma organização temporária em busca de um modelo de negócios escalável e repetível num ambiente de extrema incerteza”[1], cujo foco inicial é o aprendizado, portanto, se organize para aprender o máximo possível no menor tempo possível, utilizando o mínimo de recursos nesse processo.

Pense no seu MVS, inicie o desenvolvimento do seu MVP e dê vida às suas ideias! Não espere o momento ideal e nem pergunte para os especialistas se sua ideia é boa, pergunte aos seus clientes se eles sentem as dores que você acredita e lhes apresente o quanto antes uma boa solução.

 

[1] Definição composta pelas visões de Steven Gary Blank e Eric Ries combinadas.