Tenho uma ideia, e agora?

tenho uma ideia

Tenho uma ideia, e agora?

 

“A necessidade é a mãe da inovação”

Platão


Uma pessoa empreendedora é uma pessoa que está buscando concretizar suas ideias.

Nesse sentido, é possível realizar sonhos pessoais, mas se você pretende viver dos resultados desse sonho é importante que ele beneficie um conjunto amplo de pessoas.

É importante que você observe com atenção o mundo ao seu redor e compreenda o que não está certo, o que pode ser melhorado, quais os desafios das pessoas, o que elas desejam atingir, quais seus objetivos, o que elas consideram um problema ou um obstáculo nesse caminho.

Ninguém vai lhe responder com clareza o que quer, isso é trabalho seu descobrir, mas, de modo geral, é possível perceber o que as incomoda ou as atrapalha.

Foque em entender as pessoas e seus problemas

O fato é que, na maioria dos casos, os inventores, empreendedores, filantropos e gestores públicos acreditam saber o que é bom para as pessoas e não procuram entender de fato o que elas buscam ou desejam.

Nesse ponto, reside a causa do fracasso de muitas ideias. Nossas ideias não são tão boas como imaginamos e as estatísticas não desmentem isso.

Não à toa, mais de 90% das startups falha. Uma pequena parte por problemas de execução, mas a grande maioria por ter se esforçado para criar algo que as pessoas não querem.

Não tenha medo de testar suas hipóteses

Nesse sentido, o primeiro passo a ser dado após termos uma ideia que desejamos pôr em prática é coloca-la à prova.

Concordo plenamente com a afirmação comum nesse ambiente de que uma ideia per se não tem valor, entretanto, para alívio dos mais desconfiados, posso dizer que, ao menos nesse primeiro momento, você não precisa e não deve falar sobre sua ideia com seus clientes potenciais, e apenas se comprometer em compreender se há uma base que a justifique:

Ou, em outras palavras, se o problema que o levou a desenvolver essa ideia é real e concreto e se realmente vale a pena investir em uma solução para ele?

Considere fazer esse exercício mesmo que a sua ideia seja baseada em uma dor pessoal, pois é importante lembrar que nosso mundo representa uma fração mínima do mundo real e que essa validação é insuficiente para justificar o investimento de tempo e dinheiro no desenvolvimento de uma solução.

Se concentre em seus Adotantes Iniciais

Num mundo de abundância como o nosso, não há muito espaço para inovações que não sejam dirigidas com clareza a quem inicialmente se beneficiará dela. Não dá para criar nada relevante o suficiente para escalar se não há a preocupação em conhecer profundamente os segmentos de clientes a serem atendidos, em especial os nossos adotantes iniciais.

E aqui está o primeiro passo relevante a ser dado: encontre ao menos um segmento de clientes que tem o problema, o reconhece, está disposto a testar novas soluções e comece tentando entender se o problema que você irá resolver é relevante para eles e quais são as soluções que eles usam atualmente.

Busque por pensamentos, atitudes e comportamentos

Se o problema for relevante, você espera encontrar algum tipo de atitude ou comportamento das pessoas em relação a ele, correto?

Você espera observar num percentual do segmento de clientes escolhido alguma ação no sentido de resolver o problema, um esforço mesmo que infrutífero para minimizá-lo, ou num caso mais extremo, a mentalidade de alguém dado por vencido nessa batalha.

Enfim, é possível avaliar o tamanho da dor sentida pelas pessoas e inferir se uma solução para o problema que as aflige seria bem-vinda sem nem mencionar sua ideia.

Há um mercado para minha solução?

Uma vez descoberto um segmento de clientes que tem a dor que você pretende acalmar, será importante entender qual o poder econômico desse segmento, pois nossa solução, como sabemos, deverá sempre se equilibrar em um tripé:

Deve ser atrativa (desejável) para os nossos clientes, factível (considerando nossas competências e tecnologias disponíveis) e por fim, e não menos importante, ela deve ser economicamente viável.

Amarrando tudo

Inicie sua busca tentando compreender o problema e se aprofundando em suas várias dimensões. Se aproxime dos segmentos de clientes que você acredita precisar da sua solução e tente validar suas hipóteses e suas premissas.

Se você concluir que o problema é real e há um conjunto de pessoas grande o suficiente disposta a pagar por uma solução, é hora de definir sua tese de negócios e avançar na validação do conceito da sua solução.

Se você tem uma ideia, ou um projeto e não sabe como dar os próximos passos, deixe nos comentários suas dúvidas que teremos prazer em auxiliá-lo na definição das premissas e hipóteses e a pensar junto com você quais seriam os caminhos para tentar validá-las.

[*] – Artigo atualizado em 26/04/2017